Tema: Fidelidade

Fica connosco para sermos capazes de perseverar, para não nos esquecermos da tua chamada na confusão do dia-a-dia, para nunca perdermos de vista que é só por Ti que vivemos.

Fica connosco, fala-nos, lembra-nos, bate à porta do nosso coração, muitas vezes, para nunca deixarmos de te procurar.

Fica connosco no momento da tentação, para sabermos o que fazer. Fica connosco quando te dissermos que não queremos que fiques, para corrermos rápido de volta a Ti.

Pela caridade, não a podes desprezar. Deves saber ouvir, receber uma crítica ou um elogio. E procurar agradar sempre que podes.

Mas só a vaidade faz depender a tua felicidade da opinião dos outros. Precisas da segurança de saber que és amado, não de aprovação e de popularidade. Precisas da segurança de ter quem amar, não que pedinchem o teu amor.

Em Jesus tens sempre essa segurança.

Lembra-te disso quando ficares triste porque desejavas mais atenção. Recuperas a alegria esquecendo esse capricho, servindo os outros e falando com Deus.

Que bons tempos estás a viver! Sentes uma alegria transbordante por ter conhecido Cristo, um entusiasmo com a luz que esse encontro trouxe à tua vida e uma confiança sem limites no que podes fazer por Deus neste mundo.

Agradece-Lhe ter-te dado essa alegria sensível, essa clareza de espírito, sabendo que não será sempre assim. O amor prova-se na dor. E, ainda que te sintas agora o maior apaixonado, terás de o confirmar.

Mas serias tonto se não aproveitasses este momento para te fortaleceres. O entusiasmo não dura sempre, mas algo fica. Converte-o em decisões de vida, em propósitos de serviço. Escreve as ideias grandes que agora te movem. Saboreia agora a proximidade de Deus porque depois, às vezes, Ele esconde-se.

Começam por ser palavras educadas, para se tornarem as próprias de alguém atento e delicado. Consciente da presença dos outros e da sua importância e valor. Mas também são expressões que devem encher o teu diálogo com Deus.

Que acorram depressa aos teus lábios pelas inúmeras maravilhas de que és objeto cada dia. E por tantas falhas e faltas de correspondência ao Senhor. Sim, são muitas: as pequenas coisas, em que já não reparas, com que Deus te sustenta e facilita o caminho. E os pequenos erros, que desprezas mas podes mudar, como é próprio de quem ama.

Obrigado e desculpa. Repete-o muitas vezes e verás como há mais para agradecer e para pedir perdão. É natural, pões-te no sítio certo: uma criança frágil nos braços de um Pai omnipotente.

Acabaram de se conhecer, chegaste agora a esse grupo, és novo na empresa... Pode chocar e não há contexto.

Um mês depois ainda ninguém sabe da tua fé. Ainda estás a formar uma imagem. Desconfias que são ferozmente contra a Igreja.

Passou um ano e não és capaz de dizer a ninguém que és católico. Era assumir escolhas muito mal vistas. E agora seria estranho descobri-lo ao fim de tanto tempo. Pareceria que o estiveste a esconder.

É porque escondeste. Se amasses Jesus, agias simplesmente com naturalidade, sem máscaras. Se não te queimas, já não será preciso dizer que és católico: acabarás por deixar de o ser.

A vida corre-te bem. Desde sempre, muito bem. Com saúde, com amigos, com serenidade, com grandes momentos, com paz.

Tão bem que até tens medo de Deus. Que Ele te esteja a preparar para um pedido muito difícil, como outros à tua volta: vidas duras, problemas muito pesados sem fim à vista, conflitos, doença. E à mínima contrariedade, pensas que é agora.

Agradece a Deus a boa vida que te dá e abandona-te nas Suas mãos. Diz-Lhe que aceitas tudo o que te enviar. Mas não tenhas medo.

Não tens força nem graça para lutar com o que não existe. Nem o teu amor a Deus pode depender de que a vida seja fácil. Se Lhe fores fiel, será boa. Por amor, não por medo.

Não podes. Há coisas de que não te podes esquecer. Respostas pendentes, compromissos marcados, datas importantes.

Por isso, faz qualquer coisa para te lembrares. Compra uma agenda, muda hábitos, arranja sirenes, pede a alguém. Mas não te encostes a uma desculpa que não serve: lembras-te daquilo que levas no coração. E o teu coração tem espaço para mais, se saíres tu para o deixar livre.

Desculpa, mesmo que seja involuntário, se não te empenhas parece desprezo. Ou imaturidade.

Esforças-te muito e mesmo assim esqueces-te? Pede desculpa e não percas a paz!

Se passam pelo coração chagado de Cristo, cabem. Mas é muito difícil ser fiel quando dois amores lutam pelo mesmo lugar no teu coração. E se o deste inteiro, impossível.

Por isso, se notas que o afeto foi mais longe do que esperavas, deves saber cortar. Dói. Menos do que a queda provável desse equilíbrio insensato. E o que há de estranho em sofrer por amor a quem o prometeste?

Talvez não concordes comigo. Tens um coração grande, forte e responsável. Se um dia vieres a concordar, espero que não seja por teres estragado tudo.

Há muita sabedoria na prudência.

Jesus viveu por ti. Com a sua vida, o seu trabalho, a sua paixão e morte, tomou o teu lugar e ofereceu-Se ao Pai em tua vez.

Imita-O. Com a tua entrega diária também podes tomar o lugar de outros. Estuda com empenho oferecendo-o por aquele amigo que tem um exame. Diz a verdade pensando em quem sofre por mentiras. Reza o que tinhas decidido lembrando-te do teu irmão sem fé.

Aproveita as pequenas lutas para fazer da tua vida uma oferta, uma oblação. Vive para os outros e arranca de Deus, com a tua generosidade, a graça da conversão para muitos.

Foi o que fizeram contigo.

Deixa comigo. Eu sei, eu trato de tudo. Agora vai dar, já percebi como é que se faz. Não é comum mas acho que é o certo. Não é o que me aconselham mas eles não estão a ver bem.

Quando não ligas aos conselhos, quando queres vencer pelas tuas forças e ideias, quando queres ser igual aos outros... espetas-te.

Deus não desconfia de ti: conhece-te. Tu, que achas que te conheces, é que devias confiar em Deus.

Jesus, depois de dadas todas as instruções aos apóstolos, subiu aos céus, onde está à direita do Pai.

Mas os apóstolos voltaram alegres desta despedida. Perceberam que Cristo não estava só com eles, naquele lugar determinado. Estaria para sempre, em qualquer lugar, à espera da nossa mão estendida.

Não te parece, às vezes, que Jesus desapareceu? Ele pede-te fé. É o momento de O procurares com outro empenho. O mesmo que pões nessas seguranças fugazes, que agarras e se desvanecem.

Não para te assustar. Deus não quer seguidores assustadiços e escravizados, mas gente livre, com um coração largo e generoso. Não quer o teu medo, mas o teu amor.

Deus quer que todos se salvem. Desenhou a tua vida com uma vocação de santidade. Mas, como dizia Santo Agostinho, “Deus, que te criou sem ti, não te pode salvar sem ti”. Ele espera a cooperação da tua liberdade. Queres?*

*se não sabes do que estou a falar, consulta o Catecismo da Igreja, parágrafos 1033-37.

[novíssimos 6/8]

Tens a vida emaranhada. Projetos pendentes, mil atrasos. Uma agenda por fechar, perdas de tempo. Apegos não entregues, afetos não agarrados. Não estás inteiro em parte nenhuma.

Apetece largar tudo para começar de novo, com passos seguros e previsíveis.

Mas não é possível: tens pessoas ao teu cuidado, responsabilidades onde contam contigo, prazos, a palavra dada...

Nem seria conveniente. Oferece a Deus a cruz da incerteza e termina ou agarra o que é teu dever, ali onde está agora, como se estivesses a começar.

Às vezes não tens segurança, nem gosto, nem criatividade. Podes ter sempre a nobreza de ser fiel.

Queres perder o comboio? Hoje é assim: ou és vanguarda, ou vencem-te. Esquece o modo antigo de fazer. Essa mensagem já não chega a ninguém...

Calma! Sem estudo, oração, silêncio, ponderação... apanhas o comboio e não sabes para onde vais.

Não é verdade que está tudo em mudança: há coisas que não mudam, ainda que sejas o único no mundo a guardá-las.

Haja alguém que não entre em todas as ditas ondas de progresso sem as questionar. E nos lembre que não interessa chegar primeiro, se chegamos ao sítio errado!

Sempre foste uma máquina! Trabalhador, organizado, rápido, eficaz.

Mas agora descobriste que não és imune à preguiça, ao erro, ao desleixo ou à perda de tempo. É que tens de trabalhar no que não te apetece. Não te entusiasma o que fazes agora. Nem por vaidade!

Cresce. É muito bom trabalhar com entusiasmo. Como o é procurar esse entusiasmo no valor sobrenatural do trabalho. Mas nem sempre é fácil e, com mais ou menos vontade, tens mesmo é que trabalhar. Bem.

Posts mais antigos