Entre a cruz e a ressurreição há tempo.
Como entre a entrega e a vitória, entre a dor e a alegria, entre a semente e o fruto, entre a morte e a vida.
Aprende a esperar com a fé e a confiança de Maria.
És um exemplo de generosidade. Estás disponível para os outros e guardas pouco para ti. Podes quando outros não podem, dás o que outros não dão.
São coisas boas, coisas de Deus que ninguém faria se tu não fizesses. Mas estás de rastos. Sempre. Vives no limite do cansaço. Um cansaço sereno e alegre, cheio e bom, mas real: não és de ferro.
E precisamos de ti. Com paciência para ouvir, com cabeça para rezar, com força para ajudar. Não hoje, muito tempo.
Agora dá prioridade ao descanso, aprende a descansar. Sabes que podes. Vão continuar a pedir-te: dizes que não. E aquelas coisas boas? Ficam por fazer.
Chocas, uma e outra vez, contra as tuas limitações. E mesmo assim, vês o que podes fazer por Deus. Até o que, aparentemente, chega aos outros pelas tuas mãos.
Podes ser o último de todos, que Deus continua a confiar em ti, continua a contar contigo, a pedir-te coisas grandes.
As tuas misérias? Não te impedem de amar, nem a Deus de te amar. Não te impedem de poder, nem a Deus de te pedir.
Deixa-O confiar. Confia. E entrega-te.
Vamos fazer uma pausa.
Se passares por aqui, reza por nós, envia sugestões para o nosso regresso e dá-nos a tua opinião sobre o último ano do Queima-te. E envia um post a um amigo.
Se estiveres de férias, procura a Eucaristia. Tenta fazer um bocadinho de companhia a Jesus todos os dias.
Se não estiveres de férias, também!
Descansa. Queima-te.
Não vais estar em todas as festas de verão, não vais a todos os planos. Não vais ser convidado para tudo, não virão todos os que convidares. Não vão todos gostar de ti, não vais impressionar.
É que há gente que conta contigo. Tens família e amigos que deves ajudar a descansar, com o teu serviço e alegria. E não tens tempo, nem dinheiro para tudo. Nem vida interior.
Escolhe tempo de qualidade centrado nos outros, que fortaleça amizades e reforce os bons laços.
Nessa inquietação vaidosa de ceder à pressão social, é que vai mesmo passar-te tudo ao lado.
*"Fear of missing out", medo de ficar de fora, de perder eventos, informações, de não estar onde acontece o que é popular no meu meio.
Não chega saber que estarás na praia ou na aldeia. O que vais fazer? Como vais aproveitar os teus dias?
Também não chegam os passatempos: ficar horas agarrado ao telemóvel, a ver coisas desinteressantes que te vão queimando os neurónios. Precisas mesmo de ocupar o tempo. De encontrar atividades em que tenhas gosto e que te ajudem a descansar.
Tens de ter interesses, temas preferidos, matérias que exploras e atividades em que aprofundas. Ajudam-te a pensar, a falar e a compreender. Ajudam-te a criar amizade e relação com outros. Ajudam-te a desfrutar das coisas boas e a reparar nas mais belas.
E poupam-te grande parte das tentações!
Chegou o merecido tempo de descanso. Podes dormir um pouco mais, fazer as coisas devagarinho, ficar mais tempo à mesa, gastar mais, fazer uma sestinha...
E, à boleia do que te ajuda a descansar, também achas que tens desculpa para mais uns pecadinhos.
Um bocadinho mais vaidoso, arriscar mais com o álcool, desafiar a fidelidade, um arzinho mais sensual, um bocadinho maledicente... Como se a vida cristã fosse só mais uma obrigação de que te libertas com alívio.
Se o descanso não te aproxima de Deus, talvez O temas, mas não O amas.
Vives no modo "mal posso esperar". Pelo fim do dia, pelo fim de semana, pelas férias, pela reforma. Parece que a tua vida começa aí e o tempo de trabalho anterior é só um mal necessário.
Que pena!
Tens que dar valor à vida de trabalho: Deus conta contigo para construir uma parte do mundo que nos entregou e assim te construires a ti mesmo; conta com o teu trabalho para te encontrares com Ele e ajudar os outros a encontrá-lo; conta com o teu brio e criatividade para desfrutares do que fazes e merecer o que recebes.
Aproveita os dias de descanso: voltarás com novas forças à tua missão de colaborador de Deus.
Não pode ser boa a sensação de olhar para trás e não ter feito nada.
Em que a preocupação principal não sou eu próprio. Nem a aparência, nem as fotografias, nem o louvor.
Em que me preocupo primeiro com ajudar os outros a descansar.
Em que vivo com sobriedade e sem gastos desnecessários.
Em que aprofundo amizades em vez de procurar a excitação social.
Em que olho pouco ao espelho.
Em que dou um lugar especial à oração e a acompanhar Jesus no sacrário.
Descansaria melhor de outra maneira?
Tens pouco tempo e muito que fazer. Inquietas-te por não ter tudo controlado e não tens descansado o necessário.
Mas gostava de ver-te sorrir: estás a fazer coisas boas e a fazê-las bem!
Aquilo a que não sabes se chegarás, depois de tentar e pedir ajuda, deixa-o nas mãos de Deus. Ou antes!
Ele, que te olha continuamente com atenção, sorri também com esse gesto de abandono. E com a oportunidade de te ter só para Si, num bom momento de descanso!
Repara no olhar de Deus e deixa-te cuidar.
Nem a viagem grande, nem o trabalho delicado, nem as compras, nem os copos.
Nem o tema tenso, nem a conversa importante, nem ajudar em mais uma coisa, nem a decisão difícil.
Às vezes estás de rastos e não tens alternativa. Mas, quase sempre, podes deixar isso para um melhor momento, com mais cabeça. E evitas alguns disparates, mergulhar no sentimentalismo, ferir os outros e a ti próprio.
Que desafio é conhecer-se e aprender a descansar!
Se vives com um sentido, se procuras um fim, estás a meio de um caminho. Estarás sempre. E sabes como essa conquista precisa de tempo.
Mas vives à pressa, consumindo resultados, com medo de ficar para trás... de quem? De quê?
A serenidade exige desprendimento. Descobre o que importa e dá-lhe tempo. Sempre. Em tudo.
Crescerás em segurança, elegância, subtileza, cortesia, modéstia, amabilidade. E serás para outros um apoio sereno.
Por onde começar? Mais silêncio e oração. Menos comparações e telemóvel.
Andas sempre a mil, a resolver urgências.
Com imensos planos e projectos bons, que nunca chegas a começar: o plano familiar, a iniciativa social, o estudo daquele tema que te interessa, o telefonema ao amigo que se afastou, o tempo dedicado a Deus... Com tantas urgências, deixaste de lado as coisas importantes.
Tem que ser? Talvez.
Ou talvez não. Tens mesmo que ser tão voluntarista? E dedicar tanto tempo ao trabalho? E dizer sempre que sim? Perderás algum prestígio?
Reserva tempo para o que importa. Ou deixará de importar.
Não estou a falar de preguiça. Faz-te bem trabalhar, com empenho, esforço e criatividade. Pôr as mãos na massa e participar, com o teu engenho, na Criação do mundo. Mas não vivas para o trabalho. Ele não é um fim, é um meio. E tu tens limites. Conhecê-los e respeitá-los é sinal de humildade. Descansa. Define tempos de lazer. E usa essas horas para te cultivares.