Tema: Família

Já não te lembras, mas houve um tempo em que deste muito trabalho. Não fazias nada sozinho, sujavas tudo, tinhas birras insuportáveis, não deixavas ninguém dormir. Exigias uma atenção contínua.

Nessa altura, alguém te dedicou muito tempo, muita paciência, muito carinho, muito amor. Assim cresceste, assim se formou a família, assim construíste laços à tua volta e deixaste a tua marca no mundo. Mas esse mundo anda esquecido daqueles que cuidaram e agora precisam de cuidado.

Talvez um dia os que cuidaram de ti dêem muito trabalho. Para seres capaz de os cuidar nessa altura, tens agora de lhes dar muito carinho. Mas para que estamos a falar de justiça?! Cuidarás por amor, certo?

Os teus avós, com melhor ou pior saúde, merecem sempre –hoje!– a tua atenção. Vai estar com eles, liga-lhes, reza, surpreende.

Feliz dia dos avós de Jesus!

Usas a casa. Fazes o frete das refeições com os outros, mas não estás com paciência para perguntas. Não sabes o que falta fazer e quando sabes nunca o fazes.

Não vês quem está cansado, ou doente, ou teve um mau dia. Estás ocupado com as tuas coisas. A tua família vê-te (às vezes), mas não sabe de ti.

Reaprende a servir -primeiro!- aqueles que Deus te confiou. Por dever e muito além do dever. Não tens nada mais valioso a construir que a tua própria casa.

Não digo que desates hoje aos beijos e abraços. Mas um ou outro...

Crescemos à mesa.

Ali aprendemos a viver rodeados, a partilhar, repartindo o que nos é necessário. Aprendemos a generosidade deixando o bife maior, a temperança esperando pelos outros, a escuta quando todos querem falar, o serviço passando e pedindo a água, os modos falando ou comendo. Aprendemos a agradecer rezando com simplicidade, aprendemos a pobreza comendo o que nos dão.

Tão diferente das refeições solitárias, à porta do frigorífico, comendo por capricho o que um influencer aconselhou. Tão diferente dos jantares vidrados na televisão ou no que diz o telefone de cada um.

Hoje, quando os apelos à solidariedade facilmente se tornam vazios, devíamos recordar mais vezes o grito da mãe na nossa infância: para a mesa!

É tudo para ti. Onde te sentes amado e seguro. Onde te conhecem e compreendem. São os que não falham, os que te cuidam, os primeiros. Só que...

...é a mãe que faz tudo!

Já é altura de agarrares o dever de construir essa família. Não és agradecido, nem justo, se vives só para desfrutar. A segurança que sentes em casa, conquistou-se com muito amor e alegria, sacrifício e renúncia. A que estás tu disposto para a manter?

2024 é para ajudar mais em casa! Feliz dia da Sagrada Família.

Cercada de teorias criativas, acossada pela lei, sem modelos a que agarrar-se, desprezada...

Não! Não é só uma conversa inofensiva entre opiniões diferentes. É a decisão dos valores que nos definem: amor ou diversão, compromisso ou impulso, doação ou egoísmo, fruto ou esterilidade, natureza ou capricho, ciência ou palpite. Vida ou morte.

Não dá para ficar no meio. Arma-te de amor e coragem, e sobe para o lado da família de Nazaré.

Fala e mostra, com o exemplo e com a tua luta diária, o que pode ser uma família cristã. É urgente!

É que é preciso muito mais que isso!

Respeito, admiração, carinho. E disposição de ouvir, aprender e cuidar. Carregaram às costas a sua vida e a nossa.

Como cristãos, sabemos para que estamos nesta terra. Fará algum sentido abandonar quem vive a última etapa dessa jornada? Pobre cultura a que vê nos velhos um fardo.

Hoje é dia dos avós.

Portas-te bem porque te veem. Percebes as razões mas só te segura o que dizem à tua volta, a expectativa que puseram em ti.

Calma! Não comeces a fazer disparates para ser espontâneo e sincero!

Aproveita para perceber como é valiosa a vida em família e em comunidade. A lealdade aos outros puxa pela tua fidelidade. Ver gente entregue puxa pela tua entrega.

Mas ser bom para não chocar é pouco. A tua vida cristã é uma resposta ao amor de Deus por ti e tem que ser livre, pessoal e profunda. Quer vejam, quer não.

És templo de Deus. Em ti habitam o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O teu criador e redentor mora na tua alma e, sem se impor, quer ser o teu amigo mais íntimo.

Mas estás distraído. Ou preferes procurá-Lo em grandes gestos, ações heróicas, reformas...

Hoje, festa da Santísima Trindade, procura em ti o Pai, Jesus e o Espírito Santo. Fala com simplicidade com as três pessoas divinas, único Deus. E deixa-te espantar por este mistério que, sem compreenderes, te enche de luz.

E queres cuidá-la até ao fim dos teus dias? Achas que podes ensinar a fé aos teus filhos? Acreditas no casamento entre homem e mulher? Dás valor à vida desde a concepção até à morte natural? Tentam viver a moral cristã em casa? Rezam em família? Hoje?!

Não te preocupes. Está tudo bem! Podes ter essa família e lutar por ela.

Tradicional? Vanguardista!

Tens um amor grande à tua família e estás muito bem em casa. Mas estás pouco! A vida é rica em solicitações! Além do trabalho, tens planos, convites, oportunidades...

Eu sei que estás sempre que é preciso. Mas estando tão pouco, não te dás conta de quando é que é preciso! E ajudas sempre que estás... que é pouco! E achas que estás tanto como os outros! Como sabes, se não estás lá?!

Estou a exagerar. Mas quando ouvires que "esta casa não é um hotel", lembra-te que, atrás do exagero, também há senso comum. E, sobretudo, saudade.

Não é preciso revolução nenhuma. É só reordenar prioridades, pondo a família mais para cima.

É boa e necessária a tua independência. Como é bom estares preso aos que estão mais perto. Se estiveres, eles notam.

Dedica-te aos outros, dedica-te à família. Já viste que sorte? Ter um porto seguro, um refúgio onde te vês sempre rodeado de amor.

Que o entusiasmo por esta noite não venha da atenção que vais receber, mas do carinho que podes dar. E em cada simples gesto de serviço –ouvir a tia, servir um prato, abrir a porta!– agradece ao Menino a família que te deu.

Promete-Lhe o esforço por cuidar sempre de quem Deus pôs ao teu lado, como faziam todos na gruta de Belém e na casa simples de Nazaré.

E se a tua família atravessa dificuldades, procura o calor do presépio, onde és sempre filho e irmão.

O Menino que esperamos é Deus todo poderoso. Quis nascer frágil, pobre, pequeno, para nos mostrar que Deus é a nossa fortaleza.

Também eu sou frágil. Mas, junto ao Menino, sou forte! E no regaço carinhoso de Maria. E nos braços seguros de S. José.

Sim, tens de pensar. Sonhar! E lutar para o conseguir.

Queres Deus nessa família? Em que lugar? Queres ter filhos? Queres transmitir-lhes a fé? Quem os vai educar? Tu? Os dois? O estado? Queres dar mais importância ao conforto? Ao dinheiro? À carreira? Ao tempo juntos? Aos valores morais que defendes? Queres ser fiel na saúde e na doença? Em qualquer doença? Durante qualquer tempo? Queres estar aberto à vida? Queres acompanhar até à morte?

Pensa bem e procura quem partilhe contigo esse projeto. Há mais gente a pensar como tu.

Ou lutamos pela família cristã, ou vai tudo abaixo.

Tudo.

Ter tempo para mim, fazer o que gosto, estar livre de horários…

Agradece as férias. Podes repor energias, crescer em intimidade com Deus, fazer coisas diferentes. Mas lembra-te que não é um tempo só teu, nem só para ti. Não podes estar todo o dia de papo para o ar.

O tempo é útil quando o usas em favor de Deus e dos outros. Descansas para poder servir. Não serves para poder descansar.

Oferece a Deus um tempo de oração mais rico. Foca-te no que escapou ao longo do ano. Liga a quem não vês há séculos. Anima o teu avô. Ajuda mais em casa. Brinca com os miúdos…

Pensa para que servem as férias e quem serves nas férias! Ainda vais a tempo de mudar.

Tens alergia aos trabalhos mais simples e humildes. Mudar uma lâmpada, trocar o rolo, lavar a travessa, meter-se debaixo da cama para aspirar.

Eu percebo que te custe. Mas então, como é que eles se fazem? Alguém fará? Chama-se uma pessoa? Paga-se a uma empresa?

Não sejas preguiçoso, não queiras ser um príncipe. Não te consideres demasiado digno para esses trabalhos. Imaginas, na Sagrada Família, alguém a esquivar-se das tarefas?

Ajuda em casa! Sem reclamações e sem truques. Já são demasiadas as coisas que sobram para a mãe!

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