Tema: Pormenores?

Usas a casa. Fazes o frete das refeições com os outros, mas não estás com paciência para perguntas. Não sabes o que falta fazer e quando sabes nunca o fazes.

Não vês quem está cansado, ou doente, ou teve um mau dia. Estás ocupado com as tuas coisas. A tua família vê-te (às vezes), mas não sabe de ti.

Reaprende a servir -primeiro!- aqueles que Deus te confiou. Por dever e muito além do dever. Não tens nada mais valioso a construir que a tua própria casa.

Não digo que desates hoje aos beijos e abraços. Mas um ou outro...

Não tens um momento de silêncio. Foges.

Estás todo o dia a consumir conteúdos. Alguns interessantes, outros ridículos. Sem te dares conta, o que procuras é a quantidade.

E esse zumbido constante vai calando a voz da consciência. Porque fala mais alto, substitui qualquer coisa, tem autoridade. E sem momentos de silêncio, deixas de reconhecer Deus.

A meditação de Deus e dos seus mistérios far-te-á generoso. É disso que precisas, antes de ser interessante. Não fujas do silêncio: procura-o.

São horas infindáveis de trabalho que te tiram tempo para tudo o resto: a família, os amigos, a oração, o descanso.

Entregas-te com a postura de quem se sacrifica pela causa. Mas na verdade não percebo porque passas ali tantas horas.

Multiplicas os cafés e as pausas. Gastas imenso tempo a procurar coisas porque tens tudo desordenado. Não queres delegar porque não confias em ninguém. Interrompes o trabalho por tudo e por nada. Perdes tempo com o que gostas para fugir do importante. Não levas até ao fim as tarefas que começas.

Talvez fique bem sair tarde do trabalho. Mas talvez pudesses fazer o mesmo em metade do tempo.

A paróquia, o movimento, a missão, os 3 campos de férias, o grupo mensal, o voluntariado, as peregrinações, os coros, os eventos, os projectos... Estás em mil coisas católicas, todas muito boas, todas ligeiramente diferentes.

Fazes bem em todas elas. Mas o que te faz bem a ti?

Não estás comprometido em nenhum lado (nem daria, não podes ter tempo). Não conheces a fundo nenhum desses caminhos (por muita admiração e amizade que lhe tenhas). Não trabalhas (deste prioridade à agitação social). E confundes oração com atividade.

Não tens dado a Jesus nenhuma exclusividade, andas disperso e baralhado. Escolhe o que quiseres, larga o resto.

Estás muito preocupado pela paz no mundo, falas com apreensão das zonas de conflito, indignas-te, querias mexer-te, fazer qualquer coisa.

Mas na reunião de condóminos és um franco-atirador. Disparas em todas as direções, destróis, estudas o inimigo, desenhas planos de ataque. E não farás nada pela paz começando uma guerra no teu prédio.

O Papa falou de paz. Procura-a primeiro dentro de ti: só Deus dará paz à tua consciência. Depois à tua volta: a paz que transmites quando vives para os outros. Depois na reunião do condomínio. E no trabalho, nas filas de espera, no trânsito.

Não acredito que te preocupem lá longe, se aqui vais desprezando os feridos.

Não começas. Atrasas até já não valer a pena começar. Vais fazendo umas coisinhas. Preparas outra vez o que vais precisar. E começas amanhã.

E interrompes mal começaste. Já podes dizer que estás a fazer. Ficas mais tempo na interrupção que na tarefa. Dizes que foste interrompido, aproveitas, desejas que te interrompam.

Não terminas, tudo está começado, nunca feito. Não acabas sequer de perder tempo: a net é infinita, deixas-te levar. Não descansas. Do quê? Não te deitas, não desligas, não te levantas. Não começas...

Se não reagires, a vida vai dar-te uma cacetada...!

–Mal encarados! Tenho eu agora que aguentar o mau humor dos outros? Que culpa tenho que o dia lhes corra mal. Isto é modo de se falar?!

Olha, há gente com vidas difíceis, que luta muito, que sofre o que não imaginas. Há gente magoada, ferida injustamente e remetida ao silêncio. E há gente egoísta, birrenta, que quer ser o centro do mundo.

Pedindo a Jesus a Sua mansidão, sorri a todos eles. Talvez deixes do outro lado um pouco de luz, ou uma ponta de vergonha por aquela vaidade.

Ajudas, não te chateias, e aprendes que, quando for a tua vez, também podes fazer boa cara.

O que escolhes? Aproveitar os prazeres da vida ou renunciar aos teus desejos? Viver livremente ou sob as regras arbitrárias de uns homens de preto? Confiar no que podes comprovar ou deixar-te levar por fábulas? Viver feliz nesta terra ou sonhar com um além que não existe?

Tens medo destas perguntas?! Então dirige-as aos santos. A resposta é enérgica!

Quem experimentou alguma vez que a felicidade está nos prazeres?! Numa vida sem regras ou nas promessas do que é sensível?! Pobre felicidade a que ficou aquém da paz, que trocou a verdade pelo que tinha ao alcance da mão, que desprezou a liberdade prendendo-a no charco das suas vistas curtas. Que nunca soube quanto se pode chegar a amar quando se é amado sem medida!

Eras tu quem devia fazer as perguntas! Porquê escolher uma vida estreita quando podes conhecer o único que sabe fazer-te feliz? Não o deus pequenino que confundes com regras e invenções. O Deus que te criou, que está perto de ti, que te ama e te quer junto a Si para sempre.

Com a multidão dos felizes Santos que hoje celebramos, é hora de gritar a cada um: vem ver.

Vives numa completa desarrumação. Acumulas coisas em todo o lado, não sabes onde as encontrar, perdes imenso tempo, estragas tudo.

Às vezes pesa a consciência e dás um jeitinho: uma pilha de papéis desencontrados, três ou quatro coisas paralelas, outras tantas escondidas no armário... e segue o caos.

Vives em tensão com as coisas, não as dominas e não tens paz. Podias ter, se reservasses tempo para te organizares e arrumar o que é teu. Já sei que não tens tempo livre. Mas este tempo, para ti, não é livre: é necessário e tem prioridade.

Tens uma avidez incontrolável. Poupas, renuncias, aguentas e de repente gastas tudo! Pareces outra pessoa: comes, bebes, falas, gritas, ris, atiras-te com uma sofreguidão que ninguém te conhecia.

Consomes em duas horas o que te custou tanto conquistar. Sobriedade? Puro músculo, algum controlo, nenhum desprendimento verdadeiro, nenhuma virtude.

Para que fizestes grandes renúncias? Para ser compensado? Para alguém ver? Por obrigação?

Escolheste Cristo e por isso vives a temperança: nada mais te é necessário. Muito menos as quedas loucas de um triste saciado.

Às vezes não porque estás distraído. Ou porque queres ser discreto. Mas deves responder de modo que se ouça, que se note que afirmas o que crês, para quem está à tua volta e com eles.

E como não estás sozinho, tenta responder ao ritmo dos outros, uníssono, reforçando o sentido de pertença a essa comunidade.

Também não é preciso gritar! Por berrares as orações ao teu ritmo não pareces mais piedoso: pareces surdo!

Passou uma luz no céu. Bem visível, mas só alguns perceberam. Há relatos, testemunhas, registos apressadamente partilhados. E expedições de busca para encontrar vestígios. Nada! Não vinha para cá. E se viesse? Que horror!

Há dois mil anos desceu a Luz do céu. Discreta, só alguns perceberam. Há relatos, testemunhas, registos apressadamente partilhados. E multidões em busca para encontrar sentido. Sim! Deus veio para cá! Que maravilha!

Se foste dos que não se apercebeu, procura-O. O fenómeno é único e os efeitos sobrenaturais: ficou, em todos, um fragmento dessa luz.

Falta uma semana para as eleições legislativas em Portugal.

Não sei com que ideais te identificas, que confiança tens nos políticos, nem que visão tens sobre o estado. Mas tens uma obrigação: conhecer.

Não podes desligar-te da sociedade em que Deus te colocou para intervir. Não podes faltar por preguiça, não podes votar ao acaso, não podes desprezar o direito a dizer o que pensas.

Ainda tens tempo de ler programas, pedir opiniões e decidir o que fazer, sabendo que o teu país é governado por aqueles que tu escolhes.

Faças o que fizeres, seu preguiçoso, estás a escolher!

És sereno. Dá gosto estar contigo pela paz em que vives. Que vem da tua paz com Deus e por Ele transmites. Aprendeste com esforço esse modo de viver, de estar e de rezar.

Mas há momentos na vida que não são tranquilos. Há prazos, há doenças, há pessoas intensas, há ritmos diferentes. Há tudo o que não controlas.

E essa atrapalhação, que agora sentes, não é sinal de que deves fugir. Podes, com Deus e algum desprendimento, encontrar serenidade também aí, no meio das coisas novas, do cansaço, do ruído, da pressa.

E continuar a ser o que Jesus pede e tu desejas: semeador de paz.

Tens muito que fazer. Não sei se coisas demoradas mas, pelo menos, muitas. Vais falando do que fazes para que vejam como estás ocupado e não te peçam mais nada. Tens listas complexas para gerir tudo isso.

E perdes imenso tempo!

Dez minutos aqui, cinco ali. Mil paragens para ir ao telemóvel (e ficar). Levantas-te, sentas-te. Café, água, fruta, barrinha... Dás prioridade ao que te interrompe e não tens uma hora seguida de trabalho.

Hoje decidiste aproveitar o tempo. E aquilo que não cabia na tua agenda ficou feito em meia hora.

Se pusesses esses talentos a render...

Posts mais antigos