Tema: Oração

Há intenções que são maiores do que tu. A paz no mundo, a unidade da Igreja, a salvação de uma alma, a conversão de um amigo, a vocação de alguém... Como rezas? Que tamanho tem o teu coração para desejar verdadeiramente o que pedes?

Pedes por ser necessitado. Mas não pedes sinceramente se não queres dar também tudo o que tens. Diz ao Senhor que o deixas nas Suas mãos, que queres tanto o que Ele quer como Ele próprio. E que estás disponível para tudo se Ele quiser contar com isso para essa intenção.

Pensas neste ato de entrega, no que temes que Deus te peça e ficas com o coração nas mãos. Se for nas mãos Dele, terás paz. Com Deus, é mais seguro largar as seguranças.

Ouviste ontem o Papa a falar de Jesus? E viste como O olhava, em adoração ao Santíssimo Sacramento? E como a multidão se uniu em silêncio para adorar?

A amizade com Cristo transforma a nossa vida e as nossas amizades, para as tornar verdadeiras. Transformará o mundo se nos damos aos outros.

Volta às palavras do Papa Leão na vigília do Jubileu dos jovens. E se tentásses mesmo viver assim unidos a Cristo?

Que bons tempos estás a viver! Sentes uma alegria transbordante por ter conhecido Cristo, um entusiasmo com a luz que esse encontro trouxe à tua vida e uma confiança sem limites no que podes fazer por Deus neste mundo.

Agradece-Lhe ter-te dado essa alegria sensível, essa clareza de espírito, sabendo que não será sempre assim. O amor prova-se na dor. E, ainda que te sintas agora o maior apaixonado, terás de o confirmar.

Mas serias tonto se não aproveitasses este momento para te fortaleceres. O entusiasmo não dura sempre, mas algo fica. Converte-o em decisões de vida, em propósitos de serviço. Escreve as ideias grandes que agora te movem. Saboreia agora a proximidade de Deus porque depois, às vezes, Ele esconde-se.

Começam por ser palavras educadas, para se tornarem as próprias de alguém atento e delicado. Consciente da presença dos outros e da sua importância e valor. Mas também são expressões que devem encher o teu diálogo com Deus.

Que acorram depressa aos teus lábios pelas inúmeras maravilhas de que és objeto cada dia. E por tantas falhas e faltas de correspondência ao Senhor. Sim, são muitas: as pequenas coisas, em que já não reparas, com que Deus te sustenta e facilita o caminho. E os pequenos erros, que desprezas mas podes mudar, como é próprio de quem ama.

Obrigado e desculpa. Repete-o muitas vezes e verás como há mais para agradecer e para pedir perdão. É natural, pões-te no sítio certo: uma criança frágil nos braços de um Pai omnipotente.

Muito pouco. Não é que o importante seja a quantidade, ou que devas cumprir uma meta. Mas rezas como quem não tem fé. O suficiente para dizer que rezaste, o mínimo para que talvez resulte.

Se a vida corre bem, desprezas a oração. Se corre mal, pensas que vais resolver tu. Se desesperas, preferes consolar-te na tristeza.

É que já rezaste e não resultou? E pode ser que não se cumpra, mas a verdade é que rezaste tão pouco...

Reza. Pede como um menino mimado que não larga o seu pai. Insiste como quem se dispõe a esperar uma vida. É o primeiro ato de fé. De um pobre incapaz para o Deus omnipotente.

A de ontem foi igual à de hoje. Podia ser a tua oração como a de outro qualquer.

É que não é pessoal. Não falas com Deus de ti, do que te preocupa, do que devias mudar. Do que te tira a paz, do que não queres largar.

Por isso te custa tanto. Às vezes ainda consegues puxar por um sentimento forte, mas também não é teu, é do grupo. E não chegas a ver os frutos da oração na tua vida.

Jesus quer ter amizade contigo. Para isso tens de ser transparente, abrir a alma, mostrar fragilidades, expor feridas, reconhecer culpa. Verás a diferença quando a conversa for sincera.

Jesus, não percebo por que me pedes isto e por que me pedes agora. Quero encontrar um propósito, agarrar-me a uma razão que me dê força. Encaixar a tua providência na minha lógica. E não vejo.

Aceito-o. Sei que sabes mais e que eu não sei nada. Mas podes dar-me um pouco de luz?

Recorre a São Miguel nas tentações mais difíceis. Pede a São Gabriel a fidelidade à vocação. Confia a tua juventude nas mãos de São Rafael.

Conta com o teu anjo da guarda para tudo. Fala-lhe mais vezes, pede mais ajuda e proteção. Ele está sempre atento e nem sabes de que perigos te tem guardado.

E junta-te aos anjos que louvam Jesus na Eucaristia cada vez que participas na Missa. Chama-os para honrar contigo o Senhor da criação que quer vir à tua alma.

Dá-lhes trabalho.

A tua oração ficou difícil.

Vais atrasando, sem vontade, usando qualquer desculpa. Enquanto rezas, olhas para o relógio e distrais-te com as notificações que não te apetece desligar. O diálogo com Deus não tem entusiasmado, não tens grandes luzes. Também sabes que não é o teu momento mais generoso.

E queres desistir, fazer uma pausa.

Não desistas, nunca deixes a oração. Nessa aparente secura podes ser criativo, como é o amor. Podes ser simples, serenamente leal, dizendo ao teu Senhor que não querias estar ali. Mas estás.

A vida corre-te bem. Desde sempre, muito bem. Com saúde, com amigos, com serenidade, com grandes momentos, com paz.

Tão bem que até tens medo de Deus. Que Ele te esteja a preparar para um pedido muito difícil, como outros à tua volta: vidas duras, problemas muito pesados sem fim à vista, conflitos, doença. E à mínima contrariedade, pensas que é agora.

Agradece a Deus a boa vida que te dá e abandona-te nas Suas mãos. Diz-Lhe que aceitas tudo o que te enviar. Mas não tenhas medo.

Não tens força nem graça para lutar com o que não existe. Nem o teu amor a Deus pode depender de que a vida seja fácil. Se Lhe fores fiel, será boa. Por amor, não por medo.

Hoje, Jesus deixa-Se levar pelas ruas da cidade, acompanhado pela nossa devoção e pelo olhar admirado de quem não O conhece.

Amanhã, Jesus continua a deixar-Se encontrar mas espera que O leves tu à cidade, ao trabalho, à família, aos amigos.

Enche-te de Deus. Procura-O no sacrário, faz-Lhe companhia. Arranja tempo para estar presente.

E enche de Deus o mundo, com o exemplo e com a palavra. Sem vergonha, sem medo. Como Ele, por amor.

Jesus, um dia havia de sentir falta do que entreguei. Sabia-o, mas envergonha-me esta leve esperança de o reaver. E com inveja dos outros, tenho pena de mim.

Sim, devolve-me o que Te dei. Mas não como o pus nas Tuas mãos. Dá-me antes o Teu coração em troca do meu, dá-me os Teus cravos em troca da minha liberdade, dá-me o Teu afeto em troca dos que larguei, dá-me a Tua paz em troca da minha ambição, dá-me o Teu amor em troca da minha vida.

E, em troca do meu entendimento, a luz. Para ver como ganho, dando-Te o que queria guardar.

Foste batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Assim te benzes e terminas muitas orações.

O mistério central da tua fé revela um pouco da intimidade de Deus. Sendo um só, é comunhão. E convida-te a fazer parte dessa comunicação de amor.

Hoje, festa da Santíssima Trindade, procura Deus que mora na tua alma. Entra em diálogo com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. E pede a fé que te falta para te maravilhares com o amor que não compreendes. Mas tocas.

Lembras-te como falavas com Deus? As palavras simples que aprendeste em casa, pedidos de ajuda e proteção, declarações de um amor alegre, ingénuo e sincero.

Agora a tua fé é mais intelectual. Mas por que deixaste de rezar com simplicidade?

Volta à tua piedade de criança. Reza antes de dormir e ao acordar. Põe sempre o teu dia, –a tua vida– nas mãos de Deus, que te criou, que te guarda, que te olha em cada momento.

É o teu sítio.

Como seria o mundo à tua volta se vivesses mais entregue? O que mudaria se decidisses dar-te totalmente, por amor a Deus? Não mexe contigo que haja tantos longe Dele?

Fazem falta as vocações entregues e a oração é o nosso principal recurso. Reza a tua vocação, reza pela dos outros. Deus chama todos.

*

E junta-te a uma rede de oração pelas vocações que é a coisa mais simples do mundo: rezar todos os dias a mesma oração. Link na história.

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