Tema: Pureza

Que te deixa a duvidar se esse cuidado todo é apenas vaidade. Que te leva a procurar quem diga que estamos a exagerar. Que até te indigna, mas deixa a pensar...

Tantos cuidados com a imagem! O que procuras? O que esperas? Elogios? Seguidores? Versos? Convites? Amor?

Na tua preocupação pelo aspeto há muito de simplicidade, de justiça, de caridade. Como pode haver de vaidade, egoísmo, sensualidade.

Pensa, pensa... O verão fica-te mesmo bem. A discrição também.

...e que cuidas do que nos foi dado, que te preocupas com a conservação das espécies, que te choca o desperdício, que queres controlar a exploração humana dos recursos naturais, que lutas com garra pelas gerações vindouras...

Já que amas a natureza, respeita os corpos do homem e da mulher.

Não explores, não desperdices, não roubes, não estragues, não sujes, não comprometas o futuro. E não inventes.

Se amas mesmo a natureza, chegarás a Deus pelo corpo que Ele te deu.

A formosura atrai e vocês fazem um belo par!

Mas tens de abandonar o ar sobranceiro de quem passeia na rua uma peça de caça. E deixar de pensar que só tem sucesso quem conquista o melhor do catálogo.

Queres construir uma família. Começas mal se não consegues ver a beleza escondida. A que o amor descobre, cuida e guarda, para que ninguém roube.

...ganhas a admiração dos estranhos, apontam-te e mostram-te como objecto de desejo, trabalhas para o algoritmo e chovem aprovações.

Se revela menos, ganhas a admiração de outros: os que te amam.

Escolhe.

Ouvimos ideias espantosas, sobre eficácia e beleza, defendendo que devemos aperfeiçoar o corpo: modificar o que não agrada, cortar o que não se usa, acrescentar o que fica bem. A ciência convenceu-nos que somos ilimitados.

E, ao mesmo tempo, um desprezo completo que trata corpos como mercadoria, peças de usar e deitar fora. O egoísmo convenceu-nos que sexo é só prazer.

Talvez haja quem pense que o cristianismo teme ou despreza a carne. Parece-me antes, entre o transumanismo e os excessos da revolução sexual, que o bom senso cristão ao tratar do corpo é a novidade que manterá a Igreja, uma vez mais, como porto seguro.

Colecionas conquistas. Competes. O teu orgulho é recolher a atenção, ser apetecido. Não interessa quem está do outro lado. Só importas tu, a tua imagem, o teu desejo egoísta de ternura.

Em vez disso, escolhe amar: pensar em alguém que não tu, sofrer, cuidar, esperar. Ou já não és capaz?

Sexo sem amor, primeiro é egoísmo, depois escravidão.

É próprio de quem guarda um tesouro, que não quer ver saqueado. De quem tem consciência do próprio valor e por isso não precisa de se publicitar. De quem muito se estima e teme ser exposto a quem não o pode amar.

O que todos veem e comentam deixa de ser íntimo. E o que somos nós se perdemos a intimidade?

Não precisas que te valorizem por fora. Precisas, sim, de valorizar o que tens dentro.

Pelo último, terás mais seguidores. Mas acho que preferes ter amigos.

Boa parte depende de ti. Como queres que te conheçam? O que desejas mostrar aos outros? A tua estima e interesse? Ou que te admirem e desejem?

A beleza identifica-se com o bem. O prazer nem sempre. Que pena se a ti, com todo o encanto da pessoa que és, te tomassem por um simples pedaço de carne.

Não somos anjos, seremos sempre conhecidos pelo corpo. Mas seria absurdo que as nossas relações, belas e valiosas, se medissem pelo nível de satisfação dos apetites. Já estivemos mais longe...

Tens pressa, avidez. Procuras sensações fortes. Pareces ter medo da simplicidade, da sobriedade, da discrição.

Como não és milionário, ainda não és extravagante! Mas dás a todos os temas um tom muito sentimental, nunca paras no copo razoável, prolongas tanto os bons momentos que ficam aborrecidos, gastas demasiado em comida, dás ao que fazes uma importância desmedida, estás sempre à procura do que chama a atenção...

Falta-te abandono. Confiar em Deus, que te pode dar a paz. Uma paz verdadeira e que, por isso, pode ser simples.

Distrações intensas e passageiras nunca te vão tranquilizar.

Pensa nas pessoas que se expõem e em cuja exploração colaboras. Pensa nas mentiras que consomes e nunca encontras na realidade. Pensa no vício em que caíste e te deixa fechado em ti próprio. Pensa na vida familiar de que vais perdendo a esperança. Pensa em Deus que te estende a mão para saíres daí. E tenta viver livremente.

O início é difícil: contar a alguém que te possa ajudar. Mas é possível. E bom.

Força! A pureza que ainda podes viver é muito valiosa.

Desculpa, eu isso não controlo. Pela cabeça passam muitas coisas boas e edificantes, mas também disparates e ideias vergonhosas. Desejo as primeiras, tentam-me os últimos. Esforço-me por ter na cabeça aquilo que amo, mas sou fraco e tudo me atrai.

Estou tranquilo! Com a graça de Deus, não consinto no que é pecado. Pelo menos luto. E aos poucos, vou enchendo o espaço interior com o desejo do que está certo.

Se olhasses cá para dentro, talvez te escandalizasses! Tentações! Incomodam, mas não são o que conta.

Sexualizar tudo destrói a amizade. Porque a contamina com a desconfiança, o medo, o ciúme. E destrói a sexualidade porque a banaliza.

Gosto muito de ti, de estar contigo e do que partilhamos. Espero poder fazê-lo toda a vida. E isto não tem nada de sensual, nem deve ter. São coisas diferentes.

Mas se passa pela cabeça, é preciso ter ideias claras, uma fortaleza serena e a distância necessária. Sem dramas, só maturidade.

“Mas se nos amamos, estamos comprometidos, queremos ficar juntos toda a vida! Para quê adiar o que pode já fortalecer a nossa relação?”

É que já tinhas dito o mesmo na relação anterior! E agora, quando dizes que te entregas totalmente a alguém, tens dúvidas sobre a tua sinceridade. Se é total, tem que ser exclusivo. E para ser exclusivo tem que haver compromisso.

Além disso, o teu desejo tem menos a ver com considerações elevadas do que com a paixão do momento. Pensa bem. Pensem bem! Se se amam, aguentam a espera. E evitam as comparações, e não é preciso esconder nada, e não há perigo nenhum.

Ninguém o faz? É só mais uma das coisas que alguém tem de começar a fazer. Espero que não desistas por vergonha.

Por viver uma vida pura, entregue e apaixonada, não conheço ninguém que se tenha arrependido. Por achar que o sexo tem pouco a ver com o casamento, conheço muitos.

Uma alma em que Deus quer morar? Alguém por quem Cristo derramou o seu sangue? Beleza? Interioridade?

E na praia, o que vês?

É que com esse olhar de caçador não verás mais do que um corpo. Nem te incomodará seres tu a presa.

Pensa em Maria. Se olhares como Ela, Virgem Puríssima, o teu olhar será limpo. Verás bem e não cederás à tentação de roubar o que pertence a Deus.

Se não consegues olhar de outro modo, não olhes. Nem desejes esses olhares sobre ti: não ficas bem aos pedaços!

Ficaste curioso! Será explícito? Será fresco?! Será para mim? É agora que lhes fecham a conta? Assim funciona a tentação e nós continuamos a cair na armadilha. Aproximamo-nos com curiosidade do que é sensual. Procuramo-lo. Sem qualquer intenção de pecar. Sempre racionais, seguros, frios.

Mas sabemos como rapidamente amolecemos e já é tarde demais. Se eu tivesse cortado antes...

Não é bom ter medo da tentação: aumenta-a. Muito menos da sexualidade: é um dom de Deus. Mas sem cair na ingenuidade de achar que resistimos sempre ao que desejamos. Ou que tudo o que desejamos é bom. É muito fácil transformar o que temos de mais belo no que fazemos de mais baixo.

Se te vês frágil, foge. Não te armes em forte. Quando a castidade custa muito, já cedeste em alguma coisa.

Até amanhã.

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