Tema: Apostolado

Tens mil coisas para fazer, ajudas aqui e ali, queres estar sempre disponível. E ainda tens iniciativas, projectos, coisas boas que gostavas de lançar.

Há mais gente, mas sobram sempre mil pormenores e imprevistos que te fazem estar constantemente a apagar fogos.

Vives a fazer coisas, esqueces as pessoas. Ocupas-te com números, esqueces as almas. Inventas recursos, esqueces a oração. Confias em ti, esqueces Deus. Será que vale a pena?

Para pegar aos outros o fogo de Cristo, talvez tenhas de fazer menos.

Tens uma vontade grande de falar de Deus em todo o lado. Menos onde estás.

Mas a tua primeira missão é esse local difícil em que te encontras todos os dias e essas pessoas que vês o dia inteiro no trabalho, na escola, na família. Aqueles que hoje discordam de ti e amanhã vão voltar a ver-te, e no dia seguinte, e no outro. E continuar a discordar.

A terra que tens de missionar também é essa onde pode correr mal, onde não és tão apreciado, onde ninguém te procura. Assim será claro que o que te move é o coração de Cristo.

Não és extrovertido, não tens conversa de circunstância, não tens um currículo brilhante. Não tens muitos seguidores, nem uma família grande, nem imensos amigos.

Mas tens Deus.

Conheceste Jesus Cristo e a tua vida foi iluminada. Tens algo valioso para partilhar com os outros, com todos. Fala, mostra-O. Não é soberba propor Deus. É um serviço.

*

O @vemver.lx é uma boa oportunidade para receber de outros esta luz. E levá-la depois ao mundo inteiro. Anda!

É uma boa pergunta. Mas não vale a pena procurar uma fórmula. Falou-nos o próprio Verbo de Deus e condenámo-Lo à morte.

Falarás de Jesus se tiveres a convicção de que todos O procuram e que Ele próprio conta contigo para Se dar a conhecer.

Terás esta convicção se estiveres apaixonado. É essa a fórmula!

Nas suas primeiras palavras como Papa, Leão XIV desafiou-nos a caminhar com ele "sem medo, para proclamar o Evangelho, para ser missionários".

Começa já hoje. Uma sexta-feira igual às outras, com a diferença de termos um novo Papa. Que se note a tua alegria. Que vejam, no teu trabalho ou turma, como estás contente. Di-lo com naturalidade.

Soa estranho? Estranho é que uma fé com tanto peso na tua vida, apareça tão pouco na tua conversa.

Com Cristo, sem medo. Queima-te.

Tens no coração o bom desejo de levar a mensagem de Cristo a todos, sem exceção. Mas meteste na cabeça a ideia de que, para o conseguir, deves aguar essa mensagem, tirar-lhe radicalidade, omitir o que choca.

Por isso, não dizes nada. Só o que é simpático e consensual. Até gostam de ti, mas quando se ouve o que dizem todos, tanto faz quem se segue.

Não desfigures o rosto de Jesus, não mudes a Sua mensagem. Muda tu: em compreensão, em generosidade, em simpatia, em caridade. E em coragem! Assim poderás chegar a todos, dizendo tudo.

Tens a força de um apóstolo. A palavra certa, a postura que atrai, o jeito para as pessoas que faz com que te ouçam.

Mas subiu-te à cabeça. Tu é que sabes fazer, faz mal quem faz diferente! Deixaste de ouvir e aceitar outros caminhos.

O talento que tinhas para servir Deus passou de meio a obstáculo. É o que agora usas para juntar os teus discípulos.

Não deixes de ser apóstolo. Mas com o desejo de que não te sigam em nada. Só a Jesus.

O sal realça o sabor, conserva os alimentos, provoca sede.

Tu tens, nesta terra, a missão de anunciar Jesus: tornar a Sua mensagem –não a tua!– atrativa para os outros.

Tens a doce responsabilidade de guardar a presença de Deus neste mundo e de guardar o mundo fazendo Deus presente.

Tens a sorte de poder oferecer a todos o único que sacia a sua infinita sede.

Talvez encontres, nesta tarefa, momentos difíceis de contradição. O sal também cura as feridas.

Estão todos a andar no mesmo sentido, mas a tua consciência insiste que deves ir ao contrário.

Ninguém te diz nada. Só uns encontrões irritados, risos, olhares trocistas. Ao longe alguém berra: agarrem esse idiota, que ainda arrasta alguém com ele!

E insistes, com uma coragem que não é tua, guiado por essa voz interior. Ninguém te apoia, mas uma criança pega na tua mão e pede-te ajuda. Aumenta o peso, as críticas sobem de tom. Tens de a guiar.

Outra se agarra, ferida. E outra, doente. Carregas agora um pequeno grupo que o medo escondia da multidão.

Já se vêem, já contam. E já se ouvem, naquele êxodo, uns murmúrios frustrados: estes sabem para onde vão.

Preso a Cristo e puxando outros, não tens de fazer o que todos fazem.

A pergunta é diferente em cada uma das pessoas que queres aproximar de Deus. Deixa que a façam. Cristo responde um a um: se quiseres ajudar, primeiro, tens de ouvir.

E, assim, não verão no cristianismo apenas algo que te interessa, mas a resposta entusiasmante que há tanto procuravam.

Nem tens de ser, há mil maneiras de mostrar Deus aos outros. Não precisas de arrastar multidões, nem de ser um orador brilhante, nem de fazer espetáculos.

A tua serenidade, o teu exemplo, a tua disponibilidade, também falam de Deus. Um a um, pouco a pouco. Mas sempre com a mesma sede que tem Cristo de alcançar o mundo inteiro.

Aí onde estás. Até pode ser que tenhas tempo para assumir um encargo qualquer, na paróquia ou numa instituição. Mas não é preciso.

Um leigo empenhado é um simples leigo! O batismo já te deu vocação e missão. Tens a teu cargo a responsabilidade de transformar o mundo, amar e fazer amar Deus na família, no trabalho, em todo o lado.

A chamada à santidade não é privilégio de quem tem encargos eclesiais. Vive com sentido de missão e darás nova luz às batalhas de cada dia.

Que sabes fazer e fazes bem. Tens imenso talento e uma fome insaciável de ajudar os outros, de falar de Deus.

E metes-te, aceitas desafios, lanças projetos, estás em mil coisas boas. Todas são prioritárias, todas dão fruto, todas são exemplo do que se devia estar a fazer.

Medes os números. E não reparas que aquilo a que te comprometeste, antes desse entusiasmo, ficou por fazer. E que aquelas pessoas que contavam contigo estão sozinhas. E que aquele pequeno foco de luz, onde não brilhavas, se apagou.

Pela família, pelos amigos, pela paróquia... por Deus, estás disposto a largar algum desses projetos maravilhosos?

Não há mais nenhum no teu ambiente que, além disso, ainda acha ridículas as tuas ideias. Preferias não ter de guardar a fé com tantos riscos de imagem ou tanta sede de confronto. Tens medo.

Mas o teu papel aí não é brilhar, nem vencer. É servir.

Em vez do grupo, pensa nas pessoas uma a uma: este, aquela, o outro... Consegues ter, para cada um, os mesmos sentimentos de Cristo?

O ambiente, o grupo, a multidão, continuarão a assustar-te. Mas a amizade não mete medo. E um bom amigo é um exemplo eloquente da mensagem de Jesus. És?

Agradeço que mo digas. Mas não chega. Ainda não percebeste que não estou a conseguir largar?

Dá-me razões, explica-me como se larga, diz-me a que me devo agarrar. Os argumentos de autoridade já os conheço bem. Não mandes: acompanha-me, anima-me, ajuda-me.

Eu conheço a lei de Deus. Queria conhecer agora o Seu amor. Poderei contar com a tua paciência?

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