Tema: Vocação

Calma, rapaz! Não te assustes!

Mas lembra-te que, para um católico, é perfeitamente natural pensar nesta possibilidade. Que não é para pessoas especiais, como nenhum caminho de entrega o é.

Bem sei que não te consideras à altura. É verdade: não estás. Curioso é que te aches à altura de outra vocação qualquer. Se não te abandonas, não consegues nada em lado nenhum.

Confia em Deus, que te dá o que te pede. E deixa-O pedir o que quiser.

Como seria o mundo à tua volta se vivesses mais entregue? O que mudaria se decidisses dar-te totalmente, por amor a Deus? Não mexe contigo que haja tantos longe Dele?

Fazem falta as vocações entregues e a oração é o nosso principal recurso. Reza a tua vocação, reza pela dos outros. Deus chama todos.

*

E junta-te a uma rede de oração pelas vocações que é a coisa mais simples do mundo: rezar todos os dias a mesma oração. Link na história.

Há muito que pensas entregar-te, dar o teu coração inteiro. Tens diante de ti um panorama imenso, bom, repleto de alegria.

Mas não tens a certeza. Pode não ser o teu caminho, pode ser um entusiasmo passageiro, pode ser uma ilusão, pode ser muito difícil, pode ser depois, pode ser para outros.

Pois pode.

Mas também pode ser Deus. E pode ser que não tenhas outro momento tão belo, com a mesma disposição, com tanto para dar, com tanto pela frente. Já pensaste, já rezaste, já perguntaste... só falta decidires. Agora?

Estamos na semana de oração pelas vocações.

Não precisas de rezar para a ter, porque já a tens. Não precisas de rezar pela quantidade, porque não são os números que importam.

Reza, sim, para que mais e mais gente veja o que Deus lhe pede. E se entregue com amor a esse caminho de felicidade. E seja fiel ao que prometeu, até ao fim.

É verdade que o número descansaria um pouco. Descansa em Deus que nos pode fazer santos. E vais ver que os números se compõem!

Gostamos de histórias de vida certinhas, em que cada passo é dado na altura certa e fica resolvido.

Sabia o que queria e foi o que estudou. Sonhava com o trabalho que conseguiu. Viu a vocação, entregou-se e está feliz. Tinha planos e cumpriu-os.

Mas o teu caminho tem mais percalços e é arrancado a ferros. Indeciso no que queres, em caminhos sem saída, tentando o que não funciona. O tempo passa e tu sempre a recomeçar, sem a segurança do previsível.

Nem os outros caminhos são assim tão perfeitinhos, nem o teu é pior por ser acidentado. É o que Deus sabe que precisas, ainda que te troque as voltas. E, com altos e baixos, irás ter ao mesmo sítio.

Grande coisa é ser professor!

Enquanto pensamos em produzir, mostrar resultados, fazer fortuna, carreira, subir... há uns quantos que preparam os mais novos para a vida.

Discretos ou desconhecidos, alguns amados mas esquecidos, dispostos a dar o que sabem e o que são.

Tens muitos talentos para fazer render e alcançar muito sucesso. Mas não deixes de perguntar se os podes utilizar para o sucesso dos outros.

É uma vocação. Se a tiveres, quanto bem podes fazer.

Senhor, conheces os meus sonhos e projectos, sabes o que gostava de fazer e onde preferia servir-Te. E volto a pedir-Te por isso.

Mas podes pôr-me onde fizer falta, pedir-me o que achares melhor. Sei que me darás a graça para o cumprir. A força e a luz para o levar a cabo. O ânimo para desfrutar.

E que mais posso desejar que a Tua divina vontade?

Olham-te com pena por seres católico. Coitado! O que estás a perder! Como se estivesses preso num regulamento puritano que te faz viver sem cabeça e sem paixão. Uma vida de renúncias.

Desejavas que o dissessem diretamente, para o poderes explicar.

Renúncias?! Até agora não fizeste outra coisa que não escolher. Quiseste pôr-te do lado de Deus por descobrir que te ama, escolheste dar a tua vida por estares apaixonado. E vives pelo que escolheste sem pensar no que deixaste.

Às vezes pensas: e se me custar? Mas não vês como três bagatelas te roubarão o coração: está inteiro no único que te pode dar tudo.

Conheço a alegria das almas entregues a Deus, o seu sorriso habitual e a esperança que os move.

Conheço os frutos que essas almas operam em outras, o bem que fazem, a multidão de gente que ajudam.

Conheço a escassez de vidas entregues, a falta que fazem os que se dedicam a Deus com radicalidade.

Conheço a promessa de Jesus a quem deixa tudo para O seguir.

Conheço-me e sei que não tenho qualidades. E conheço Deus, que as tem.

Por que não eu?

O tempo vai passando. Sabes, em teoria, que está tudo bem: mais vale esperar por um namoro com futuro do que precipitar o resto da vida num entusiasmo.

Mas às vezes ficas triste. Tens medo de não encontrar ninguém ou, pior, que ninguém te ligue. Perguntas se devias ter aproveitado aquela oportunidade. E tens um bocadinho de vergonha por aparecer sempre só.

Não percas a paz. E enquanto esperas por esse amor que fará florescer o melhor de ti, pensa que agora é para Jesus o teu coração inteiro.

Talvez Ele te peça para o guardares assim toda a vida. Ou que te mexas um bocadinho mais para encontrar essa pessoa. Que não será ideal, nem perfeita. Nem tu!

Tens bons desejos de entrega. Vês um caminho luminoso, cheio de frutos e alegrias, que podes percorrer se aceitares esse convite.

Mas tens medo. Tantos à tua volta que começaram com o mesmo entusiasmo e saíram do caminho. Ou outros para quem os passos se fizeram tão pesados que a jornada parece devastadora.

E procuras segurança, certezas, garantias de que a decisão é certa. Que não vais mudar, que ninguém mudará, que nada muda.

Só Deus não muda. E é Ele quem te pede, pessoalmente, o que sabe que podes dar. Não tens a vocação dos outros: não a copies, não a julgues, não a temas. Jesus, que te chama, também está nos momentos duros do caminho.

Podes.

Esse passo de entrega não é para ti. Dizes, humildemente, que não te achas à altura, que não tens o talento.

É mesmo isso? Ou é falta de generosidade? Saber que estás à altura mas não querer abraçar a entrega pelo esforço que implica? Não estar disposto a largar os teus tesouros? Esconder o talento com medo de ser visto a falhar?

Aqueles que se entregam não se acham à altura, mas sabem que Deus o está. E tentam.

Sabes lá o que a vida te reserva! E se daqui a uns anos mudas de ideias?

Agora tens é que conhecer, experimentar, construir seguranças. Estas decisões não se tomam assim de um dia para o outro. É preciso ponderação e amadurecimento.

O que é que tu sabes da vida? Ainda tens trinta anos!

...

Mas Deus dizia-lhe ao ouvido: nunca estarás preparado. Eu, que te chamo, estou.

Não chega ter um sonho.

Há histórias lindas de gente que venceu obstáculos gigantes em busca do que um dia idealizou. E conseguiu alcançá-lo.

E há histórias tristes por contar de quem viveu obstinado com um sonho inalcançável. Não tinha o talento, prejudicou o futuro, desprezou quem estava à volta e acabou sem nada. E continuam a dizer-lhe que o sonho é para seguir...

Lança-te em aventuras, tenta fazer o que gostas, agarra audazmente as oportunidades. Mas pergunta antes qual é a vontade de Deus, quem precisa de ti, onde podes render mais. Se, além disso, for o teu sonho, melhor.

Melhor ainda se for o sonho de Deus.

Para pessoas muito rijas ou meio angelicais ou bichos do mato?! Não.

O celibato é para quem Deus chama. Como é Ele quem as sustenta, não se detém a escolher pessoas pela sua qualidade: escolhe todos por amor com uma missão particular.

Não olhes para o celibato como o caminho mais difícil: não tem por que ser. Talvez o vejas como mera renúncia e o casamento como um mar de rosas. Mas os dois são escolhas de amor, positivas e desafiantes, para pessoas especiais. Como tu para Deus.

Ama todas as vocações, também as celibatárias. Precisamos delas, não por terem tempo, mas por terem coração. Por graça, basta-lhes Jesus.

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