Tema: Fé

Muito pouco. Não é que o importante seja a quantidade, ou que devas cumprir uma meta. Mas rezas como quem não tem fé. O suficiente para dizer que rezaste, o mínimo para que talvez resulte.

Se a vida corre bem, desprezas a oração. Se corre mal, pensas que vais resolver tu. Se desesperas, preferes consolar-te na tristeza.

É que já rezaste e não resultou? E pode ser que não se cumpra, mas a verdade é que rezaste tão pouco...

Reza. Pede como um menino mimado que não larga o seu pai. Insiste como quem se dispõe a esperar uma vida. É o primeiro ato de fé. De um pobre incapaz para o Deus omnipotente.

É o que dizes quando acrescentas lixo a essas gavetas cheias de coisas que nunca vais usar. E ocupas espaço, carregas pesos, arrastas bugigangas que só recordas ao pensar que as podes deitar fora.

Assim é a tua entrega. Não queres largar tudo, ainda não confias em Deus. E com a saída fácil do "não exagerar", vais guardando umas esperanças sensuais, compras confortos caros e desnecessários, mantens o mesmo apego à tua imagem, não chegas a queimar-te por Cristo.

Guardas para ti o que pode vir a dar jeito... se Deus falhar.

Tonto! Deus não falha. E quer dar-te a uma vida nova, mas tu continuas agarrado ao chão...

Jesus, não percebo por que me pedes isto e por que me pedes agora. Quero encontrar um propósito, agarrar-me a uma razão que me dê força. Encaixar a tua providência na minha lógica. E não vejo.

Aceito-o. Sei que sabes mais e que eu não sei nada. Mas podes dar-me um pouco de luz?

Andas de um lado para o outro. Quando paras, é a cabeça que continua: sempre mudar de preocupação, ora entusiasmado, ora triste, a imaginação solta para pensares em ti próprio, e de novo para outros mil assuntos.

No meio desse caos, vais vendo Jesus. Está aí. Mas entra na tua cabeça como mais uma coisa, que esqueces rapidamente para pensar em muitas outras. Ou nenhuma.

E começas a notar que não estás verdadeiramente com Deus. Não Lhe dás tempo, não Lhe dás atenção, não Lhe dás o esforço da amizade. Nem quando rezas.

A tua vida mudará muito quando dedicares tempo à oração, diariamente, fazendo silêncio exterior e interior, deixando para depois o que não é diálogo.

Que maravilha! Descobrir que o mesmo Deus que tudo criou me fez apenas por amor. Que Aquele que não precisa de nada, me pede o coração inteiro.

Descobrir que me escuta o mesmo que sabe tudo. Que me olha continuamente ainda que eu Lhe vire as costas.

Descobrir que levou a cruz no meu lugar, que deu a vida por mim. Que me deixou a Missa para eu reviver a Sua paixão.

Descobrir que o Omnipotente me espera num pedaço de pão em cada sacrário. Que o Inocente nunca se cansa de perdoar-me.

Então, ser cristão não é uma mania desinteressante de uns quantos iluminados? Não! É descobrir para que tens coração.

Hoje, Jesus deixa-Se levar pelas ruas da cidade, acompanhado pela nossa devoção e pelo olhar admirado de quem não O conhece.

Amanhã, Jesus continua a deixar-Se encontrar mas espera que O leves tu à cidade, ao trabalho, à família, aos amigos.

Enche-te de Deus. Procura-O no sacrário, faz-Lhe companhia. Arranja tempo para estar presente.

E enche de Deus o mundo, com o exemplo e com a palavra. Sem vergonha, sem medo. Como Ele, por amor.

Foste batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Assim te benzes e terminas muitas orações.

O mistério central da tua fé revela um pouco da intimidade de Deus. Sendo um só, é comunhão. E convida-te a fazer parte dessa comunicação de amor.

Hoje, festa da Santíssima Trindade, procura Deus que mora na tua alma. Entra em diálogo com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. E pede a fé que te falta para te maravilhares com o amor que não compreendes. Mas tocas.

Devia ser difícil despedir-se de Jesus. Mas os apóstolos, depois de ver o Senhor subir ao céu, ficaram cheios de alegria.

É que tinham a certeza da Sua presença próxima e constante. Como temos nós hoje. E tinham confiança na promessa do Espírito Santo. Como temos nós hoje. E tinham a paz de quem está do lado vitorioso da guerra. Como temos nós hoje.

Deus existe. Jesus é Deus. Deus é próximo. Que alegria!

Não és extrovertido, não tens conversa de circunstância, não tens um currículo brilhante. Não tens muitos seguidores, nem uma família grande, nem imensos amigos.

Mas tens Deus.

Conheceste Jesus Cristo e a tua vida foi iluminada. Tens algo valioso para partilhar com os outros, com todos. Fala, mostra-O. Não é soberba propor Deus. É um serviço.

*

O @vemver.lx é uma boa oportunidade para receber de outros esta luz. E levá-la depois ao mundo inteiro. Anda!

Foste embora. Ficaste desiludido, magoado, escolheste outro caminho. Voltar?! Já tiveste o suficiente de vida cristã, não te deixas enganar outra vez.

Como queiras. Mas, pelo menos, questiona a certeza de já teres sido suficientemente cristão. Põe em causa a ideia de que estiveste muito próximo de Deus, de que não tens mais a descobrir.

Porque é provável que tenhas. É provável que a tua fé tivesse muito que crescer. Como a tua oração, a tua amizade com Jesus, a tua disposição de dar a vida por Ele.

É difícil conhecer Jesus e não amar a Sua Igreja. Já O conheceste? Volta a perguntar.

Os cristãos acabam de celebrar a Páscoa, a entrega de Jesus por cada um.

Houve um homem, que tu não conheces, que deu a sua vida por ti. Que te amou tudo o que se pode amar, sem que tu o pedisses.

Esse homem está vivo e continua a querer que o conheças, a querer explicar-te porque se entregou por ti, a querer mostrar-te a felicidade que encontras por seres amado.

Não tens curiosidade? Procura-O.

Hoje muda tudo. É a diferença entre uma vida sem saída e um caminho amplo e luminoso até ao que mais desejamos.

Vencendo a morte, Jesus abriu as portas do céu que tínhamos fechado ao virar as costas a Deus. Ressuscitando, curou todas as misérias, quebrou todas as barreiras, derrubou todos os obstáculos. Entre ti e a vida eterna já só resta a liberdade.

Deus existe. Jesus vive. Deixa-O viver em ti.

Para sempre.

Entre a cruz e a ressurreição há tempo.

Como entre a entrega e a vitória, entre a dor e a alegria, entre a semente e o fruto, entre a morte e a vida.

Aprende a esperar com a fé e a confiança de Maria.

O que quer dizer que talvez não te peça isso.

Ou, então, pede. Por isso, consegues, ainda que seja difícil e te apeteça muito pouco.

Prepara-te para tentar: pede ajuda, faz o que podes e confia em Deus, que fará o que não podes.

Jesus morreu por cada um de nós. A fé e o amor que nos unem, que Ele conquistou com a Sua morte e ressurreição, são muito fortes.

E, mesmo assim, continuamos divididos.

Achamos que cremos, amamos ou rezamos melhor que outros católicos. Que devemos ser tidos em conta, que os outros são soberbos. Há dois mil anos que não conseguimos trabalhar juntos.

Talvez seja assim por mais dois mil. Mas como é pela unidade que nos reconhecerão discípulos de Jesus, faz pelo menos a tua parte. Serve, sorri, cede e não desistas. Para que vejam Cristo em ti.

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