Começou como divertimento: em tudo vias segundos sentidos e piadas ordinárias. Habituaste-te a sexualizar qualquer coisa. Por fora, com aparência de entendido, de experiente; por dentro, com o medo de quem nega um vício.
Era óbvio que dar a tudo uma conotação sensual iria deixar estragos. E percebes, com dor, que esse hábito estragou as tuas relações, as tuas amizades, a tua família. Não consegues aproximar-te de alguém com liberdade, não consegues entender a vida como dom. Transformas o mais pequeno afeto em desejo de posse.
Mas todos fogem de um ladrão.
Volta atrás, sê mais prudente, sê mais duro contigo mesmo, com o teu corpo, com o teu coração. Tens de provar a dor para reaprender a amar.

