Dizes-te um espírito livre, de coração aberto. E intuis que a tua vida cristã deve também ser assim: viras-te para Deus quando sentes uma inclinação, uma necessidade. Nem precisas de razões, se sentires com força.

Por isso, na prática, há muito que deixaste de ser cristão. A espontaneidade ficou à espera do apetite. E o apetite não veio. Quando o amor é só espontâneo, nunca é fiel.

Agora repetes uma série de lugares comuns começados por "para mim, ser cristão também é"; e completados por afirmações cheias de sentimento e vazias de sentido.

Quando voltares a sentir uma inclinação para Deus, pede-Lhe mais cabeça e vontade. Só com o coração, andas à deriva. Talvez perto, nunca seguro.