Sabes que fizeste asneira, mas os outros também fizeram. O resultado foi mau, mas estava na média. Não precisas de tanto, mas os outros também têm. Não tens direito, mas choras porque alguém tem.

Não lutas pelo bem, apenas pelo que os outros lutam. Não evitas o mal se mais ninguém o evitar. Só ajudas o que os outros ajudam. Só corriges o que é diferente. Vives tranquilo, por comparação.

Cuidado, os teus pecados são teus, não são dos outros. Acorda, és único para o amor de Deus.

Jesus levaria a Cruz se só existisses tu.

A mensagem que a senhora à tua frente está a escrever não é para tu leres. O mail que viste no computador aberto de alguém não é para ti. A conversa do casal na mesa ao lado não te diz respeito.

Tens sempre as antenas ligadas, prontas a intrometer-se na vida pessoal dos outros. Informação é poder. Queres ter coisas para contar.

Recolhe-te, não sejas frívolo, mete-te na tua vida. Se não respeitas a intimidade dos outros, também não respeitas a tua. E, sem intimidade, não és ninguém.

Dizes que és tu que escolhes o que vês, que o teu interesse manda, que a tua cabeça é livre. Mas pareces tão apanhado na rede...

A tua ideia de alegria foi moldada pelo Tiktok. A tua ideia de sentido foi moldada por superstições. A tua ideia de amor foi moldada pela pornografia. A tua ideia de vida foi moldada pelos famosos. A tua ideia de prazer foi moldada pela publicidade. A tua ideia de beleza foi moldada pelas redes sociais. A tua ideia de compromisso foi moldada pelo Tinder. A tua ideia de virtude foi moldada pelo politicamente correto. A tua ideia de felicidade foi moldada por agências de viagens.

Se és tão livre como dizes, resiste. Podes escolher outros modelos. Ter uma ideia de Deus moldada por Jesus Cristo. E moldar, assim, tudo o resto.

No dia do teu Batismo houve uma grande festa no Céu. Foste revestido de Cristo, incorporado ao Seu corpo. A tua alma ficou limpa e cheia do Espírito Santo.

Também houve festa na terra. A confiança de te entregar nas mãos do teu pai Deus, deixou os teus pais e padrinhos descansados, enquanto renovavam o propósito de te ajudar a seguir sempre os passos de Jesus.

No dia em que recordamos o Batismo do Senhor, recorda o teu. Agradece a Deus que te trouxe à fé, aos que guiaram os teus passos até aqui, à Igreja que te recebeu como mãe.

Pergunto-te mais tarde qual é a data do teu batismo. Tens tempo para não passar uma vergonha!

És o centro da tua atenção. Se fizeste bem ou mal, se tens saúde ou estás a morrer, se foi sobre ti ou sobre outro, se estás atraente ou horrível, se repararam ou não, se ficaste bem ou mal.

Eu sei que não é uma luta interior fácil porque serve de pouco lutar contra a imaginação: tens de ocupar a cabeça com algo maior.

Vai ter com os outros. Serve, reza por eles, dá o teu tempo, ajuda-os, faz voluntariado, preocupa-te.

E ficarás sem tempo para as mil complicações que o egoísmo te sugere.

Não é o teu único consolo? Não é quem dá sentido à tua vida? Não é Quem te salvou? Falas assim tão pouco com aqueles amigos que são um bocadinho disto?

Como se Deus tivesse que dividir o Seu tempo para estar um bocadinho com cada um e só pudesses estar com Ele por marcação. Ou no horário de atendimento urgente!

Jesus está sempre disponível. Não se trata de tentar falar muito, mas de nunca O largar.

Tens de resolver o assunto, não suportas essa incerteza, é preciso fazer alguma coisa.

E és precipitado, erras na resposta e tens o dobro do trabalho. Ou até acertas, mas com tanta pressa que o resultado fica muito aquém do que poderia ser.

Deixa-te estar com o peso às costas mais um bocadinho. O suficiente para rezares, pensares, pedires opinião.

Não deixes que a virtude de levar ideias para a frente se transforme no defeito de deixar tudo mal feito.

Aparentemente, pedes conselho. Na verdade, procuras aprovação.

Deixaste de perguntar a quem te chamava à razão e vais sempre ter com quem te apazigua a consciência.

E assim manténs os teus apegos, as tuas manias, os teus defeitos, os teus erros. Há sempre alguém que te consola e te puxa para longe dos que te amam e que, por isso, querem o melhor para ti.

É bom ter quem nos diga que precisamos de conversão. E que não diga, por fraqueza, que está tudo bem quando não está.

Às vezes estás horas a pensar nas palavras que vão deixar marca. E até te saem bem. Mas ninguém liga.

Outras vezes lembram-te algo que disseste e que marcou profundamente. E não te lembras de alguma vez o ter dito.

É bom perceberes que não és a inspiração das multidões. E que o Espírito Santo pode servir-se de ti sem que repares. Para não ficares orgulhoso.

Continua a preparar o que dizes. Por amor a quem o dizes, não a quem o diz.

Querias retribuir, a quem te amou, todo o amor que recebeste. Chega sempre o tempo de trocar os papéis e cuidar de quem nos cuidou.

E queres amparar todos os golpes, carregar por eles o sofrimento, resolver todos os problemas. Dói-te tanto que caia sobre eles mais peso! Será justo?

Mas não és capaz. Não te consegues antecipar. À dor de ver sofrer somas a cruz da incerteza, do medo de não estar lá para quem sempre esteve por ti.

Di-lo a Jesus. Queixa-te. Mas lembra-te que Ele sabe o que faz. E que, por muito que queiras proteger quem amas, Deus dá a cada um a vida com que se salva.

Dá o que tens. E confia. "Quanto mais acreditamos que Deus fere apenas para curar, menos podemos acreditar que sirva de alguma coisa rogar-Lhe brandura."

Uns homens com juízo vieram adorar um bebé. Uns homens com fortuna vieram dar as suas riquezas. Uns homens com mais que fazer vieram atrás de uma estrela. Uns homens com poder vieram ajoelhar-se.

Também hoje, o Menino que nasceu em Belém tem muito a dizer aos mais difíceis: os intelectuais, os ricos, os muito ocupados, os desinteressados, os poderosos...

Tu sabes o caminho. Sê a estrela.

Não te importa a verdade. Não te importa o bem ou o mal, o certo ou o errado. Não te importa o fim ou o sentido.

O teu deus é o equilíbrio, a moderação. Um pouco disto, um pouco daquilo, um pouco de mal e um pouco de bem. Conhecer o mais possível, com a ideia de que não pode ser mau se não for em demasia.

A tua religião é a segurança, estar bem com a vida, agradar sem te prenderes, nunca dar tudo, guardar para ti, dominar a situação. É assim que rezas.

Às vezes dizes que estás a caminho, que estás à procura. Mas não: estás parado. Confortável num templo sem altar porque não há sacrifício, não há entrega, não há cruz. Não há amor. O teu deus és tu.

Não gostas do modo de falar do padre da tua comunidade. Não é para o teu nível, não faz o teu estilo. E vais a outra.

Mas só escolhes as que são minimamente conhecidas. Juntas-te aos pastores da moda, saltando de rebanho. Queres estar onde as coisas acontecem, fazer parte da mudança ainda que, por ti, nada mude.

Abandonas os sítios difíceis porque não queres ajudar. Juntas-te onde há mais fruto porque não tens de ajudar.

Se dependesse de ti, quem iria à igreja? É que depende. Está certo que procures o que mais te ajuda. Mas já é hora de meteres o ombro.

Começou.

Não muda nada. Mas é sempre bom aproveitar a sensação de recomeço. Nas mesmas coisas, com um ânimo diferente.

O Natal em família ajudou-te a recordar que tens um porto seguro. Olhar para o presépio voltou a aproximar-te de um Deus que às vezes temes. E parece que podes mais.

Vai ser bom? Vai ser mau? Recomeça com confiança e com um desejo simples: que, no novo ano, Jesus te faça capaz de aceitar tudo.

Acabou.

Olha para trás sem medo. Não foi tudo perfeito mas tudo Jesus arranja.

Olha para trás sem rancor. Ainda vais a tempo de pedir perdão e ainda podes perdoar.

Olha para trás sem apegos. Algumas coisas deves largar, a vida segue.

Agradece o que foi bom. E o menos bom também. Depois de perdoado, desaparece no teu copo de Sauvignon Blanc!

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