Horas em frente ao ecrã, sozinho com a sensação de estar acompanhado, tardíssimo porque não consegues largar, sem sono porque acordaste depois do almoço.

Não trabalhas, não estás com ninguém, não tomas banho, não comes nada de jeito.

És impaciente e agressivo, não ouves, não olhas nos olhos, não te interessas. Dominas o jogo porque és dominado por ele.

Só ficaste assim duas ou três vezes? Chega para saber que tens de o largar. Não há nada de bom num passatempo que te controla.

O hábito molda-te. Esperas produtos carregando em botões. Como a luz do interruptor, a água da torneira, a imagem do comando.

A tecnologia tornou-te impaciente. Não sabes esperar. Nem podes, não tens tempo, é preciso entregar.

Tentaste rezar assim: uma oração, uma mudança; uma prece, um milagre. E não funcionou. É um interruptor estragado.

Na intimidade com Deus, cresce-se ao ritmo Dele. Às vezes lentamente, outras num instante. Ele sabe: cabe-te esperar.

Foi há tanto tempo a tua última confissão! Afastaste-te, perdeste o interesse, a vida levou-te por outro caminho e deixaste-te levar.

Mas reencontraste Cristo. E o desejo de retomar a vida cristã que um dia experimentaste, mistura-se com a vergonha de quem já não sabe pedir perdão.

Jesus anseia voltar a abraçar-te. Pensou neste momento do alto da cruz.

Tenta confessar-te. Se não sabes como fazê-lo, diz isso mesmo ao sacerdote que te ajudará a deixar tudo nas mãos de Deus.

Queres ter tudo, agradar a todos, ser sempre querido e elogiado. Não recusas nenhum consolo, nunca deixas de ser visto.

Para o conseguir, tentas fazer uns equilíbrios impossíveis. Prometes o que já estava comprometido, ofereces o que já não podes dar, dispões do tempo que não tens.

Não dá. Tens de cortar antes de partir tudo. Diz que não.

Para seres fiel, vale a pena renunciar a coisas boas. Não é preguiça, nem comodismo. Não é frieza, nem desprezo. É amor à vocação e a quem te entregaste.

Era ontem mas ficou para hoje. Afinal até é melhor amanhã. Ou segunda, que se mete o fim de semana. Fazemos depois, tudo de uma assentada!

Começa de uma vez! Já atrasaste vários dias o que leva poucas horas a fazer. Não te apetece pegar no que te vai complicar o dia, tirar disponibilidade, condicionar os planos.

E pões tudo à frente do trabalho. Não começas nada porque não vais acabar; nada terminas porque não começaste. Os teus dias passam-se entre o telemóvel e um mínimo de esforço para justificar o que fazes.

Reage. Falta-te brio e responsabilidade. Cansa-te! Não tenhas pena de ti próprio.

Básico? Talvez.

Mas, cada vez mais, parece necessário voltar a esta afirmação. É que, nas conversas sobre a Igreja e sobre a doutrina cristã, andas à volta de argumentos que esquecem o primeiro: Deus existe.

A Igreja diz coisas absurdas, bizarras, estúpidas, impossíveis, ridículas, cruéis... se Deus não existir.

Começa por procurá-Lo. Ele procura-te.

Um dia descobriste que o amor acolhe a vulnerabilidade e pareceu-te maravilhoso! O que mais temias mostrar encontrou um lugar seguro em alguém: as tuas fraquezas, os teus medos.

E também acolheste com delicadeza, a vulnerabilidade de quem amas. Aprendeste a proteger, a escutar, a compreender.

Mas discutem. E agora sabes muito bem o que mais magoa, o que humilha, o que faz a ferida mais profunda. Sabes que podes escavacar essas fragilidades para lhe dar uma lição.

Por amor, recebeste nas mãos um tesouro. Rico e belo, mas frágil. E imerecido. Atirar ao chão o que devias guardar com a vida é uma traição. Nunca queiras ferir.

Que faça a tua vontade ou que te ajude a fazer a vontade de Deus?

Tens esperança de que Deus queira o que tu agora queres. E muitas vezes acertarás.

Mas não te esqueças das palavras da Escrava do Senhor: faça-se em mim segundo a Tua palavra.

Pede a Maria o que tens para lhe pedir. Ela vai dar-te algumas coisas, guardar-te de outras e, sobretudo, moldar o teu coração para acolher o que te der Deus. Como uma mãe.

Fátima incomoda.

É um milagre que não consegues explicar. É o refúgio de uma multidão mais simples do que tu. É uma mensagem à antiga. É exigente.

Apela à oração e à penitência. Alerta para o perigo do inferno. Acusa a consciência sobre a vida imoral.

Mas é um lugar de alegria e paz, como é sempre o colo de Nossa Senhora.

Baixa as tuas defesas e deixa-te incomodar.

A humildade não é a virtude que rebaixa o homem, mas a que lhe revela o seu verdadeiro valor.

Podes ter todas as honras deste mundo e ser considerado por todos o maior. Quão longe estarias de perceber a grandeza de ser filho de Deus, querido e amado pelo Criador, irmão de Cristo e, que deu a vida por ti na cruz.

Estás chamado a ser divino.

Então serás misericordioso, lento para a ira, darás o teu lugar a outros, perdoarás até os que te quiserem crucificar. À semelhança de Deus.

Será que te acham graça? Ou que és um chato? Reparam na tua insegurança? Estarão a falar sobre ti? A tua roupa era adequada? E o estilo? E o que disseste?

Tens medo que te julguem, porque julgas os outros. Deixa esse vício e terás mais paz.

Ainda podes ser como aquele que invejas e que está à vontade em qualquer lugar e com qualquer companhia. Não é só um talento, é o desprendimento pessoal.

Ri-te de ti mesmo, leva-te menos a sério. Se não libertares espaço interior, Jesus não tem como viver em ti.

Um ano de um Papa de uma Igreja.

Foi o que o Papa trouxe no coração e pediu, por palavras e gestos, neste ano de pontificado: proteger e construir a unidade, na única Igreja, do único Jesus Cristo. Como Jesus e o Pai são um, queremos ser nós, unidos ao Santo Padre.

Reza pelo Papa. E, pela unidade, mete a tua agenda no bolso!

Estás com jovens e querias ser jovem; estás com atletas e lamentas a dieta que não fazes; estás com intelectuais e sentes-te humilhado por não estar à altura da conversa; estás com ricos e lamentas ser pobre.

Querias ser bom em tudo. E és apenas um talento médio. Em poucas coisas.

Tens outros dons. Entre eles, a capacidade de amar e de ser amado; o desejo e a possibilidade de entrega; uma vida que podes dedicar a Deus e aos outros. A tua alegria está aqui, não está nas comparações.

Não te deixes enganar pela velha mentira que continua a assaltar o teu coração. Ganhar o mundo inteiro não vale nada.

Não. Tenho, simplesmente, um grande desejo de estar com Jesus. E a convicção de que na Missa encontro a graça e a luz para as lutas de cada dia.

Obrigação? Tento não fazer nada por obrigação. Quero ir à Missa todos os dias por amor. E como noto a diferença da comunhão diária! Não sou melhor do que tu, mas sou melhor do que era.

Há tempo, sim: há Missas a muitas horas. Pode é não sobrar tempo para outras coisas, menos importantes.

Jesus não pede uma entrega menor aos que não são padres. Pede a mesma radicalidade da santidade, que vai buscar forças à Eucaristia. Não quero ser padre, quero ser santo. Tu não queres?

Quando não é gratuita, a exigência é um bem: ajudar cada um a dar aquilo de que é capaz, ensinar a trabalhar com brio, com o esmero próprio do amor, elevar o coração aos ideais mais altos.

Se tens de guiar ou educar, deves aprender também a exigir. É um direito de quem confiou em ti.

Mas não confundas a exigência com as palavras duras e o rosto fechado. O durão teme-se, não se segue.

Exige com o exemplo. De tal modo que sejam precisas poucas palavras. Que te vejam entregue, fiel, discreto, temperado. Depois disso, basta um sorriso.

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