Às vezes estás horas a pensar nas palavras que vão deixar marca. E até te saem bem. Mas ninguém liga.

Outras vezes lembram-te algo que disseste e que marcou profundamente. E não te lembras de alguma vez o ter dito.

É bom perceberes que não és a inspiração das multidões. E que o Espírito Santo pode servir-se de ti sem que repares. Para não ficares orgulhoso.

Continua a preparar o que dizes. Por amor a quem o dizes, não a quem o diz.

Querias retribuir, a quem te amou, todo o amor que recebeste. Chega sempre o tempo de trocar os papéis e cuidar de quem nos cuidou.

E queres amparar todos os golpes, carregar por eles o sofrimento, resolver todos os problemas. Dói-te tanto que caia sobre eles mais peso! Será justo?

Mas não és capaz. Não te consegues antecipar. À dor de ver sofrer somas a cruz da incerteza, do medo de não estar lá para quem sempre esteve por ti.

Di-lo a Jesus. Queixa-te. Mas lembra-te que Ele sabe o que faz. E que, por muito que queiras proteger quem amas, Deus dá a cada um a vida com que se salva.

Dá o que tens. E confia. "Quanto mais acreditamos que Deus fere apenas para curar, menos podemos acreditar que sirva de alguma coisa rogar-Lhe brandura."

Uns homens com juízo vieram adorar um bebé. Uns homens com fortuna vieram dar as suas riquezas. Uns homens com mais que fazer vieram atrás de uma estrela. Uns homens com poder vieram ajoelhar-se.

Também hoje, o Menino que nasceu em Belém tem muito a dizer aos mais difíceis: os intelectuais, os ricos, os muito ocupados, os desinteressados, os poderosos...

Tu sabes o caminho. Sê a estrela.

Não te importa a verdade. Não te importa o bem ou o mal, o certo ou o errado. Não te importa o fim ou o sentido.

O teu deus é o equilíbrio, a moderação. Um pouco disto, um pouco daquilo, um pouco de mal e um pouco de bem. Conhecer o mais possível, com a ideia de que não pode ser mau se não for em demasia.

A tua religião é a segurança, estar bem com a vida, agradar sem te prenderes, nunca dar tudo, guardar para ti, dominar a situação. É assim que rezas.

Às vezes dizes que estás a caminho, que estás à procura. Mas não: estás parado. Confortável num templo sem altar porque não há sacrifício, não há entrega, não há cruz. Não há amor. O teu deus és tu.

Não gostas do modo de falar do padre da tua comunidade. Não é para o teu nível, não faz o teu estilo. E vais a outra.

Mas só escolhes as que são minimamente conhecidas. Juntas-te aos pastores da moda, saltando de rebanho. Queres estar onde as coisas acontecem, fazer parte da mudança ainda que, por ti, nada mude.

Abandonas os sítios difíceis porque não queres ajudar. Juntas-te onde há mais fruto porque não tens de ajudar.

Se dependesse de ti, quem iria à igreja? É que depende. Está certo que procures o que mais te ajuda. Mas já é hora de meteres o ombro.

Começou.

Não muda nada. Mas é sempre bom aproveitar a sensação de recomeço. Nas mesmas coisas, com um ânimo diferente.

O Natal em família ajudou-te a recordar que tens um porto seguro. Olhar para o presépio voltou a aproximar-te de um Deus que às vezes temes. E parece que podes mais.

Vai ser bom? Vai ser mau? Recomeça com confiança e com um desejo simples: que, no novo ano, Jesus te faça capaz de aceitar tudo.

Acabou.

Olha para trás sem medo. Não foi tudo perfeito mas tudo Jesus arranja.

Olha para trás sem rancor. Ainda vais a tempo de pedir perdão e ainda podes perdoar.

Olha para trás sem apegos. Algumas coisas deves largar, a vida segue.

Agradece o que foi bom. E o menos bom também. Depois de perdoado, desaparece no teu copo de Sauvignon Blanc!

É importante cuidares da saúde. Muito importante.

Desde que não fiques insuportavelmente vaidoso pela saúde que tens. E desde que não queiras alterar a vida de toda a gente por causa do teu regime. E desde que não sejas paranóico das medições e das contagens. E desde que não ponhas a tua esperança no bem estar. E desde que não desprezes as obrigações para estar em forma. E desde que não percas a liberdade.

A saúde pela saúde, vale pouco. Há muito para além dela. E antes: Deus, vida eterna, família, amigos, virtudes, paz...

Já sei que tudo ganha se estiveres saudável. Estás tanto que perdem todos!

Talvez. Pelo menos dá alegria ver tantas pessoas que conhecem Jesus e aderem a Ele, que mudam de vida, que testemunham uma nova esperança.

Mas não te esqueças que, antes de uma batalha cultural, estás metido numa batalha pessoal: queres ser santo. Tanto num mundo crente, como mergulhado numa cultura pagã. E podes sê-lo.

Alegra-te com o crescimento da Igreja. E renova, perante Deus, a tua decisão de O seguir em qualquer circunstância, interior e exterior, fácil ou difícil, se te ajudarem ou se te perseguirem, se te amarem ou se fores desprezado.

Somos mais? Bendito seja Deus. Somos menos? Bendito seja Deus.

Assustas-te com o que Deus pode pedir-te. Tens medo de não ser forte para superar uma grande prova, uma dor prolongada.

Pede ajuda se a prova aparecer e não sofras por antecipação. Pensa, sim, se tens coragem hoje.

Não és corajoso apenas quando fazes o que é difícil, não tendo outra hipótese. Mas, antes disso, quando fazes o que está certo, não sendo obrigado a fazê-lo.

É a coragem de todos os dias. A da generosidade, da coerência, do serviço, da entrega.

Normalmente faz. Mas Deus pode pedir-te que te ocupes agora de outra coisa. Que sirvas onde és necessário e não onde mais gostas. Que faças o que falta e não o que fazes bem.

E se é o que Deus pede, é o que te fará melhor. Mesmo que o que fazias tão bem fique mal desenrascado por outro qualquer.

Aceita-o. Oferece esse sacrifício e o que mais te custa: não estar sempre a reparar que farias melhor o que agora fazem outros no teu lugar. Poderão dar o mesmo fruto com a tua entrega calada no que te foi pedido.

Não feches já o Natal. Deixa estar o presépio, deixa as velas acesas.

Prolonga o bom tempo em família que viveste, continua a servir com boa cara, marca os "depois combinamos" que disseste na consoada.

Deixa que o modo terno e simples com que olhas para Deus nestes dias, entre na tua rotina, nos teus dias de trabalho.

Deixa-te estar no presépio. Sem pressas.

E somos capazes de nos habituar, de fixar o olhar noutro lugar.

Deus habita entre nós. Fez-se homem, como tu e eu, pisou a mesma terra, trabalhou, amou com coração humano.

Só podemos maravilhar-nos ao contemplar, no presépio, a simplicidade de um Menino que é Deus. E a grandeza de um Deus que, por amor, se despojou de toda a realeza.

É espantoso. É sempre novo. Hoje e cada dia.

Um Santo Natal.

Vens hoje, Jesus.

Não ligues à desarrumação. Demos um jeito no que pudemos, mas o lugar não é o que queríamos preparar para um rei.

Vai estar pouca gente. Devem aparecer alguns pastores e as crianças da aldeia. Parou aqui uma estrela e pode ser que traga uns estrangeiros.

Está frio. Temos uns paninhos e palha, muita palha. Não há de faltar nada.

Pode não parecer, Jesus, mas queremos muito que venhas. Isto contigo é tão diferente! Até já.

Mesmo tendo tudo atrasado e muito que fazer, mesmo sabendo que leva tempo, mesmo que não seja necessário.

Assim como te vestes bem e preparas a casa para a chegada do Menino, queres ter limpa a tua alma para que Ele a encontre o melhor possível.

Como Maria preparou, tanto quanto podia, aquele estábulo que Jesus fez brilhar.

O brilho é Dele. Mas como fica bem na tua alma transparente, que O acolhe e entrega aos outros.

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